Não tem esta de “aos 50 anos”, “só me faltava esta”…
Você “nasceu apaixonado”, meu querido! Não tem jeito…
Aliás, é justamente este “ser apaixonado”, eternamente, que faz os artistas, os virtuoses, as pessoas diferentes das massas incautas; os ‘bois de boiada’ não são apaixonados, não se apaixonam, não se entregam, são o que são: bois. Pastam, se reproduzem e morrem. Não se apaixonam.
Apaixonar-se é característica do humano divinizado, daquele que tem “Espírito Santo” dentro das células; não é característica de mamífero. Os morcegos também são mamíferos, como os bois.
Agora, quanto à depressão, esta não cabe, realmente.
Vamos pensar, bem analiticamente: O que é a ‘depressão’?
No solo, é um desnível, um vale; na parede é um buraco, ou uma massa mal colocada onde ficou faltando ‘nivelar’.
Então podemos concluir que, no solo e na parede, a ‘depressão’ é alguma coisa que está faltando para deixar uma superfície plana. Concorda?
E nos homens, em que esta análise pode ajudar?
O homem não é “plano”, mas é composto de inúmeras partes, e por analogia, podemos dizer que a depressão no homem, é a falta de “alguma coisa” que é importante para deixá-lo inteiro, já que ele não é plano.
Os médicos costumam investigar se não está faltando algum elemento químico no cérebro, na corrente sanguínea;
Os psicólogos investigam se não está faltando um auto-reconhecimento, um reconhecimento dos pais ou dos antepassados;
Mas nenhum destes dois vieses profissionais propõe com muita freqüência, que o que está faltando, na verdade está escondido, lá dentro dos homens, e o que está faltando é uma “conexão”, uma “re-conexão”, com a parte escondida que, de tão bem escondida, parece, só parece, estar faltando.
Tem uma linha interessante da psicologia que aborda a “Sombra”, o nosso lado “Sombra”, que é aquele que nós não queremos reconhecer em nós, ou simplesmente ignoramos que exista em nós, porque é um lado que pode não ser compatível com nossas expectativas quanto ao que ‘queremos’ ser.
Vou te dar um exemplo: somos pessoas de bem, ‘do bem’, pessoas que sabem o que é educação, elegância, postura; somos pessoas que querem muito ser amadas, aceitas, reconhecidas e bem vindas e fazemos o possível – tudo o que está ao nosso alcance – para que isto aconteça.
Acontece que também somos “mamíferos”… Também temos o lado bicho, animal, territorialista, primitivo, que se irrita, que se zanga, que sente inveja, ira, gula, luxuria, preguiça, vaidade, insegurança e medo. E toda educação existe para que possamos ‘domar’ estes traços de animalidade que existem em cada um dos 6,6 bilhões de pessoas que estão hoje sobre a superfície da Terra. Em maior ou menor grau, todos estes sentimentos classificados como ruins estão presentes em cada um, e cabe à nós irmos lapidando estas ‘energias’ na medida em que elas afloram em nós, com o intuito de construirmos em nós mesmos aquela pessoa “de bem” e “do bem” que temos a expectativa de sermos.
Isto não é fácil!
Implica em muita determinação, vigilância e muito caráter para se levar à cabo esta “construção” ou esta “constituição”.
E em nossa cultura – e ninguém nega cultura – absorvemos o conceito de que quem traz em si estes instintos territorialistas, primitivos, citados acima, não é “do bem” nem “de bem”.
Só que não existe homem que não seja mamífero!!
E aí está criado um enorme paradoxo: Eu quero ser “do bem e de bem”, mas trago no meu ser os instintos primitivos que fazem as pessoas virarem bicho!
Deus me livre! Comigo não! Pelo amor de Deus! Eu vou me odiar se isto acontecer comigo!, etc., etc., etc.
Pronto! Criou-se a “Sombra”; a “poeira em baixo do tapete”; a negação de uma parte de nós; a “coisa” que está faltando na nossa inteireza e que causa a “depressão”, o “buraco”.
E aí você pode me dizer: “Então, para não ficar deprimido, vou sair por aí, pastando, procriando, e morrendo, feito boi; sugando feito morcego???”
Absolutamente!!!
A idéia, não é esta.
A idéia é “Iluminar” esta Sombra, e aí ela deixa de ser Sombra. Não tem Sombra onde a Luz ilumina!
E que Luz é esta?
É o reconhecimento, a compreensão e a concordância.
Eu reconheço que sou um mamífero; compreendo que se não viver e cultivar valores que considero bons e do bem, viro bicho; e por fim, concordo com esta realidade.
Eu trabalho e rezo pra não sentir inveja; me controlo e rezo para não sentir ira; como mais do que devia apenas quando tem mousse de chocolate; só permito a preguiça entrar domingo, no fim da tarde; não deixo a vaidade subir à cabeça quando sou elogiada, apenas recebo o elogio como um reconhecimento do meu esforço para ser uma pessoa melhor; e agradeço a cada vez que os anjos me tiram do medo e da insegurança. Territorialista só sou com meu guarda roupas e meus livros, o resto da casa eu divido numa boa!
Percebe?
Há um reconhecimento de cada faceta da Sombra, e um esforço contínuo para lidar com ela, conviver com ela, lapidá-la, sem negá-la.
Ninguém é perfeito, nem ninguém tem obrigação de ser perfeito.
A obrigação de todas as pessoas de bem e do bem é fazer este esforço de lapidação, não de serem perfeitas!
Aliás, é para este esforço que nascemos: os homens são os únicos animais que fazem a ponte entre a terra e o céu; entre o material e o eterno; entre aquilo que acaba e aquilo que é atemporal; entre os instintos e a intuição.
Se negamos os instintos, ficamos mancos, sem um pedaço. E não estamos aqui para negar este pedaço. Estamos aqui para iluminar este pedaço.
Você, meu amigo, é uma pessoa muito exigente.
Exigente com as pessoas à sua volta e consigo mesmo.
Você não gosta quando as coisas não saem como você quer que saia; não gosta quando sua expectativa não é atingida.
Você é um perfeccionista, que tem sabido usar esta qualidade de uma forma construtiva, no seu trabalho, mas talvez esteja extrapolando em relação a si mesmo, ou em relação ao ser, objeto de sua paixão.
Ou mesmo, você ainda esteja querendo aquela paixão e encantamento dos 15 anos de idade…
Querido, isto não é mais possível.
O que você viveu aos 15 anos de idade, ou aos 20, 30, 40 ou 49. Já foi vivido, e por isto foi especial e raro: porque não se repete!
Os momentos não se repetem porque são únicos e todo nosso desafio consiste em sermos criativos o suficiente para continuarmos tendo momentos ‘encantadores e encantados’, mas sempre diferentes dos anteriores, porque o ingrediente “momento” não é possível de se repetir, e ele é ingrediente fundamental em qualquer criação que façamos!
Observe sua arte: ano a ano ela foi feita, mas com criações novas, com cores novas, com estruturas novas.
Mesmo que você aproveitasse materiais, as criações eram sempre novas. Naqueles momentos você está exercendo seu papel de “Criador” aqui no mundo da materialidade.
E na vida, nos relacionamentos, também é assim.
Ocorre que aos 50 anos, já fizemos tanto, tanto, mesmo sem perceber o quanto fizemos, que quando a libido diminui, acompanhando a naturalidade da seqüência da vida, a gente fica assim, meio achando que tem alguma coisa ‘faltando’. E aí está um “momento” adequado para o trabalho de iluminarmos a Sombra!
Este é um trabalho de reflexão, delicioso, que nos realiza, nos completa.
É o trabalho novo, perfeito para a menopausa, sabia?
Não ria!
É sério!
Na menopausa, só é possível ter aquele “Tesão” com “T” maiúsculo nesta esfera, nesta dimensão!
As zonas eróticas se expandiram, saíram para além da esfera do corpo e é necessário que haja estímulos na esfera ou dimensão de todas estas Reflexões para que se tenha Tesão de novo. Um tesão novo, re-criado, que nos proporcione a satisfação do inusitado, que era tão fácil na juventude, restrito ao corpo.
Agora tem que ser reaprendido. É como se fosse um começo. E é neste sentido que tantos poetas dizem que a vida começa aos 50 anos!
Eu acabo de completar 51 anos, e tenho tido meus momento de “buracos” também…
Mas estou indo bem, (com esta minha tendência de ‘filosofar’ até a respeito do cimento da obra que estou fazendo!), buscando a compreensão do que me falta, e descobrindo que o que me falta está em mim mesma, ocultado em cada célula, esperando que eu lhe de vida e um lugar: a Luz vital que me anima e que também se encontra na minha Sombra, que se eu não reconhecer, amar e respeitar – lapidando e conduzindo, é claro – fico com “meia fase”: aquela luz fraquinha, embaçada que todo mundo sente na famigerada “menopausa”.
Experimente!
Depois você me conta…
Nossa! Viajei!
Obrigada por ter me proporcionado a oportunidade de tornar visível para mim mesma um processo que eu, como você, estou vivendo!
Beijo carinhoso,
Saudades,
Mariah Alice

